01/05/2007 GMT 1
bete @ 13:56
Acordei com o tempo escuro, lá em cima, as nuvens zangadas tornam-se negras, o sol envergonhado escondeu-se, a chuva quer cair, mas não tem forças, o mar está revolto, como se quisesse nos castigar de algo…mas que será esse algo?
O barulho nas estradas está infernal, não se vê crianças a brincar no parque, as ruas estão vazias, não se vê ninguém a passear…….Tudo tão estranho.
Fui ao mar, e enfrentei-o….perguntei-lhe porquê tudo isso, e ele virou as costas, como se não me conhecesse, como se pela primeira vês, tivesse a falado com ele.
Sentei-me na sua areia húmida, zangada, magoada com ele. As lágrimas caíram por meu rosto, mas nem essas, eu já sentia, o corpo tremia de frio, mas nem esse tremer, conseguia sentir.
Coloquei as mãos no rosto, deixando-me estar assim, como se estivesse a reflectir, mas não…meu cérebro parou totalmente, fiquei desprotegida de sentimentos, nem bons, nem maus. Tudo me era indiferente.
Ouvi uma voz forte, me falando aos ouvidos, não levantei a cabeça, que me interessava falar com alguém se o meu querido mar, me tinha abandonado.
De novo essa voz, aos meus ouvidos gritando-me – Sou eu, teu mar que te está a falar e ouve-me com atenção.
Que seja a última vez, que te veja cair, nesse desânimo, nessa revolta, tornando-te um ser inferior. Que não volte a sentir a tua voz de ódio, de raiva, porque dessa vez, não voltarei atrás, para vir falar contigo.
Olha à tua volta, não vês pessoas? Olha para o céu, não está o sol a sorrir-te? No vês os carros além, sem esse barulho infernal que sentiste?
Vai ao parque e vês muita criança, com um sorriso radiante. Esse frio que sentes, é a consequência dos teus sentimentos negativos.
Chora, mas sente essas lágrimas de vergonha, por seres assim revoltada. Que é feito da mulher, que acarinhava as pessoas? Que tinha sempre um sorriso nos lábios, mesmo nas horas, em que o mundo desabava em cima dela?
Sente teus pensamentos, ouve-os, num toque de uma melodia calma, linda. Sai já daqui e ergue os olhos aos céus e pede perdão, por te teres tornado nessa mulher fria, sem coração.
Essa não é a minha menina, que me pedia uma onda para a acariciar, essa, não é a minha menina que chegava ao pé de mim e me pedia conselhos, esta mulher que eu vejo agora…não existe.
Não voltes cá mais, enquanto não sentires a paz dentro de tua alma, o sol dentro de teu coração, o brilho das estrelas em teu corpo, e a minha força em teus pensamentos.
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